terça-feira, 17 de outubro de 2017

(Des)encontro de génios

Li há dias no DN que no Festival Internacional da Cultura de Cascais convidaram, para a sua sessão de encerramento que se realizou na Casa das Histórias de Paula Rego, duas figuras de enorme renome – o pensador Eduardo Lourenço e o escritor António Lobo Antunes.

Dizem que o auditório transbordou de espectadores para ouvir uma conversa de alto nível cultural como a que se adivinhava com dois vultos desta grandeza.

Porém, o que de facto aconteceu foi que os interessados não tiveram o prazer de os ouvir dialogar, mas tão-somente o dissertar de cada um deles sobre temas que nada tinham a ver uns com os outros. Isto devido, por um lado, ao “ciciar” de Eduardo Lourenço que, nos seus já cansados 94 anos, não consegue falar mais alto e, por outro, à surdez de Lobo Antunes.

Quando o professor Eduardo Lourenço sugeria um caminho, Lobo Antunes, que não o conseguia ouvir, seguia por outro completamente díspar…

O tema do encontro, proposto por Lourenço, seria «Requiem por um império que nunca nos existiu». Entendia o Professor orientar a sessão, para uma «Psicanálise Mítica do Destino Português» (subtítulo da sua obra «O Labirinto da Saudade») tendo como pano de fundo o sentimento secular do Império e do seu final com a Revolução de Abril. Depois daria a palavra a Lobo Antunes para falar da Guerra Colonial, já que foi ele «quem mais ajudou o país a fazer o luto através de uma das maiores obras literárias em que reinventou o que se abandonou em 1974

Só que Lobo Antunes, sem conseguir ouvir o que Eduardo Lourenço pretendia, começou a falar de improviso sobre o que muito bem entendeu. Diz o jornalista do DN que Lobo Antunes «referiu uma escritora que definia o intelectual como “muita chatice e pouca foda”; depois usou as metáforas de um doente que achava ser o rei D. Manuel e distribuía cheques com fortunas. (…) Voltou à classe dos intelectuais, sobre o qual o professor se manteve em quase silêncio, e referiu que “eram uns enconados”; que Fernando Namora ia para a cama às 21.00 para ter mais insónias; que o Vergílio Ferreira era um chato; que a maior parte dos intelectuais são chatos como a porra. Têm uma inteligência paralisada.» – 

Estas entre outras pérolas…


Dava dinheiro para ter assistido!  (É que eu gosto mesmo muito de ambos!)




domingo, 15 de outubro de 2017

O pior dia do ano!

Não me lembro de calor tão intenso, tão sufocante como o que se fez sentir aqui em Leiria ontem e hoje. Não se trata apenas dos 35 ou 36 graus. O problema é o vento quente e a ausência de humidade.

Hoje as televisões não pararam de anunciar que foi o pior dia do ano em termos de incêndios, com tantos fogos a brotarem por todo lado no norte e no centro. Têm mostrado as zonas mais sacrificadas de Monção bem como Penacova, Lousã, Cambra, Arganil, Sertã.

Ao fim da tarde foi a vez de a mata nacional aqui de Leiria pegar fogo. A zona de S. Pedro de Muel, Vieira, e Pedrogão praia estão em fogo. Vê-se aqui de Leiria. Não há comunicações por telemóvel, mas temos internet. As televisões nada dizem.

Deixo aqui o texto emocionado do meu amigo e colega Luís Lobo, que vinha de praia para Leiria, bem como algumas fotografias suas que editou no facebook.

«Destroçado.

O "meu" pinhal, aquele pinhal verdejante, exuberante em beleza e secretismo, uma jóia do nosso litoral, intocável há anos... Arde agora pela mão criminosa e psicopata do homem. Eu pude testemunhar a evolução. Saí de Leiria com um fogo no horizonte, quando cheguei à Marinha Grande já se distinguiam dois. Passei a estrada do pinhal pela Garcia e quando cheguei ao farol de S. Pedro, já eram 3 fogos. À medida que passavam os minutos e ia fotografando, ardiam novos pontos para norte. O vento soprava quente e veloz de sul. 33º no ar e um cheiro a fumo descia à terra. Bombeiros e polícia num corrupio. Trânsito imediatamente proibido. Pelas estradas do pinhal era impossível circular. Às 19h00 deixavam já circular por Pataias, única fuga possível. Quando regressava a casa, deixei um horizonte a arder nas minhas costas.

Deixo-vos as imagens implacáveis desta tragédia duma natureza que eu tanto amo e faz parte de mim...»













Outras imagens do fogo, visto de um subúrbio de Leiria:






Em Monte Real:



Mau de mais!! Não há bombeiros que cheguem. As televisões nada dizem. Incendiários? Sei lá...

Medo. Angústia. Revolta.

sábado, 14 de outubro de 2017

Que grande seca!

Nos inícios de 70, vi ao longe as ruínas da aldeia que foi submersa pela barragem de Vilarinho de Furnas, no Gerês, que muito me impressionaram. 

Não sei que efeito tem em mim o desaparecimento de construções humanas por alagamento ou para edificação de outras mais modernas que me deixa um pouco entristecida.

Desta vez, aconteceu o contrário: a seca e as temperaturas elevadas que se têm feito sentir por todo o país, mas mais fortemente no interior e no Alentejo, têm reduzido drasticamente a capacidade das barragens. 

É o que está a acontecer na barragem do Pêgo do Altar, perto de Alcácer do Sal, inaugurada em 1949. De tal forma tem baixado o nível das águas que ficou a descoberto uma antiga ponte construída há 200 anos sobre o rio Mourinho e que ligava as povoações de Santa Susana e São Cristóvão.

Não é a primeira vez que a ponte se deixa ver. Já em 1995 a ponte ficou à mostra devido a uma seca semelhante à que se está a viver. 




E eu que não gosto nada do tempo chuvoso, dou comigo a ansiar por chuva...

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

... na vida tudo passa...

Ontem, depois de um jantar de amigos, de onde saí algo acabrunhada - culpa minha por certo - lembrei uma canção dos inícios de 60, uma das minhas canções, cuja letra (e toada) nunca pude esquecer por tão verdadeira. De facto, "na vida tudo passa"....


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Histórias da minha rua (11)

A jovem senhora está na faixa dos quarenta mais próxima dos cinquenta, embora apresente um aspeto juvenil de quem veste 36 e de uma bonita loira com cabelos aos caracóis.

Não obstante, tem já em cima uma boa carga de problemas de saúde, o que ninguém dirá dado o olhar alegre e o sorriso fácil.

A sua médica de família, que é muito cuidadosa e por isso muito gabada pela jovem senhora, preocupada com uma ciática e com as queixas das lombares, depois de lhe encomendar uma série de exames, marcou-lhe uma consulta de neurocirurgia em Coimbra – que em Leiria o SNS não tem – para confirmar um tratamento mais completo e adequado.
Ontem contou-me como foi: entrou no gabinete do médico neurocirurgião que, sem sequer a mandar sentar, lhe perguntou de chofre a que queria ela ser operada.

Cara de espanto da jovem senhora, perplexidade, encabulação. Depois de recomposta e de perguntar se podia sentar-se, a jovem senhora respondeu que não vinha para nenhuma operação e apresentou os relatórios dos exames realizados que o senhor doutor se viu quase obrigado a ler.

E, em cinco minutos, lá lhe prescreveu, secamente, uma operação à coluna por causa da lombar 4 ou 5 ou fosse ela qual fosse.

Que a jovem senhora diz que não fará, pelo menos para já e depois de uma consulta assim…

(Que fique claro que não estou aqui a maldizer o SNS. Vivi até perto dos meus 30 anos sem a existência de tal comodidade social e nem quero lembrar-me desse tempo! Profissionais dignos e interessados há-os dentro e fora do SNS e dos outros também…)




quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Boca de romã perfeita


Boca de romã perfeita
Quando a abres p’ra comer,
Que feitiço é que me espreita
Quando ris só de me ver?


F. Pessoa





terça-feira, 10 de outubro de 2017

Palacio de la Madraza

A visita à Casa do Alentejo, no Palácio Alverca, fez-me lembrar, pelas influências árabes, o Palacio de la Madraza, em Granada, que visitei este Verão e que é lindíssimo.

O palácio, ou Casa da Ciência, foi a primeira universidade de Granada. Inaugurada em 1349 pelo rei Yusuf I de Granada, tendo funcionado, diz-se,  até cerca de 1500 já depois da conquista castelhana. 

Atualmente, o palácio pertence à Universidade de Granada e é usado para atividades culturais.






















No andar superior está o Salón de Caballeros XXIV, atualmente usado para conferências, cujo teto, uma verdadeira maravilha, (que não dá para ver na fotografia) levou catorze anos a (re)construir.



Resta ainda um oratório da época nazari, a última dinastia árabe que dominou o reino de Granada. De notar as representações das romãs - o símbolo de Granada.



Não é uma pérola esta Madraza (escola)?