segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Intertextualidades

Para introduzir umas sessões sobre Literatura Portuguesa que vou animar numa organização sénior, apresentei hoje a melodiosa «Cantiga Partindo-se», reunida no Cancioneiro de Resende,  da autoria de João Roiz de Castel-Branco, romântico trovador do século XV.


Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

 Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.


A cantiga foi musicada e foi cantada por Adriano Correia de Oliveira, por Amália, pelo Quarteto 111, pelo Vitorino...

Porém deixo aqui uma versão de 1962 numa belíssima voz do fado de Coimbra. Espero que gostem.







Também Saramago lembrou o trovador com o poema «Lembrança de João Roiz de Castel-Branco»


Não os meus olhos, senhora, mas os vossos,
Eles são que partem às terras que não sei,
Onde memória de mim nunca passou,
Onde é escondido meu nome de segredo.

Se de trevas se fazem as distâncias,
E com elas saudades e ausências,
Olhos cegos me fiquem, e não mais
Que esperar do regresso a luz que foi.

(in Os Poemas Possíveis)

domingo, 24 de setembro de 2017

Exposição de animais

Foi já há algum tempo, mas vale sempre a pena recordar e mostrar. Visita à exposição e feira de animais na vetusta vila de Belmonte. 

Cães Serra da Estrela.











Ó p'ra mim tão bem acompanhada!...



Mochos, corujas e falcões

Coruja

Falcão

Falcões

Mocho

Outro mocho

E os garbosos cavalos






Claro que as minha preferências recaíram sobre os cães! Se bem que tenha gostado bastante da corujinha...

E para vós?

sábado, 23 de setembro de 2017

La Mer

Não obstante ter-se dado ontem ao início da noite o equinócio de outono, o tempo aqui em Leiria continua a ser de verão ameno durante o dia embora as noites sejam já algo frias - com mínimas de 9 -10 graus.

Hoje o mar estava lindo ali no Pedrogão e havia turistas de países da Europa lá de longe com as suas caravanas estacionadas sobre o mar, desfrutando o nosso belo Sol e a cor azul do nosso mar com aquele cheiro a maresia tão caraterístico  aqui do Oeste.






Não há como não lembrar a belíssima canção francesa...




sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Chegou o Outono

Em honra da estação que há pouco chegou, aqui fica esta belíssima Canção de Outono da grande poeta brasileira Cecília Meireles.

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...




quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Recordando Elis

Uma relíquia recebida por mail.  *Bar da Carmela, no Bexiga...*

Elis Regina era recém chegada de Porto Alegre, nos anos sessenta. Canta com Adoniran Barbosa,(1910-1982)  numa mesa do bar, uma música que ele acabara de compor para sua noiva IRACEMA que morrera atropelada em plena Avenida São João, uma semana antes do seu casamento.  Muita gente ignora que este samba nasceu do atropelamento da noiva de Adoniran.





E pela mesma dupla, quem não se lembra de «Tiro ao Álvaro», tema da novela Dona Xêpa?

Uma maravilha!





quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Lenda de Zarah, a Princesa Moura

Como furtar-me a tão belo e romântico desafio? 

Este vem da Catarina, que passou à Afrodite e esta à papoila e à Janita e agora é a minha vez de vos contar a lenda de Zarah, a Princesa Moura, que, em noites de luar, ainda anda se avista nas ameias do Castelo...



«Nos tempos já muito distantes do Rei Afonso, que do norte vinha para o Sul, conquistando terras e mais terras que estavam na posse da moirama, chegou ele às proximidades de Leiria cuja terra conquistou também.

Aqui construiu um castelo roqueiro, que entregou à guarda dos seus guerreiros, abalando à conquista de mais terras, a construir um Portugal maior.

Os mouros sabendo do castelo pouco guardado, voltaram e, após uma luta porfiada, venceram os guardas do castelo e tomaram-no.

Passou a ser por essa altura, seu guardião, um velho mouro que vivia com sua filha, uma linda moura de olhos esmeraldinos e louros cabelos entrançados, chamada Zara.

Um dia, já o sol se escondia no horizonte sob nuvens acobreadas, a linda moura, estava à janela do castelo voltada ao Arrabalde, a pentear os cabelos encanecidos de seu velho pai, quando viu ao longe uma coisa que lhe pareceu estranha, mesmo muito estranha.

Que viu a linda princesa castelã, de olhos verdes de esmeralda?

Viu o mato a deslocar-se de um lado para o outro e também em direção do castelo.

Foi então que a linda princesa castelã perguntou ao seu velho pai:

“Oh! Pai, o mato anda?” Ao que o pai da linda princesa, respondeu:

“Anda, sim, minha filha, se o levam.”

E o mato era levado, sim, mas pelos guerreiros cristãos do Rei Afonso, que se escondiam atrás de paveias de mato que cortaram e ajuntaram para avançarem para o castelo sem serem vistos.

E avançaram, avançaram cautelosamente, até que já próximo da porta chamada da traição, correram, passaram-na lestamente e conquistaram o castelo.

Nunca mais se soube da linda princesa de olhos verdes, nem de seu velho pai, que era o Governador, mas, a partir desse dia, Portugal ficou maior.»




terça-feira, 19 de setembro de 2017

É justo!

Aviso aos consumidores
encontrado algures
em França...



Que é como quem diz:

Pede-se aos que bebem para esquecer o favor de pagarem antes.
Obrigado. Cordialmente.
E depois:  à vossa!!