sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Procuro




Adenda: também se recebem cabritos.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Brahams no Barbeiro

Recebi de uma amiga e sorri e gostei. Com o magistral Charlie Chaplin. Com a vigorosa Dança Húngara nº 5 de Brahams de que aprendi a gostar, entre muitas outras, cedo na minha vida com os discos (alguns ainda de 78 rotações) que comprava em segunda mão na Feira de S. Pedro. 

Apreciem a mímica e a coordenação com a música.
Depois, se tiverem paciência, apreciem peça tocada por uma grande orquestra, que é uma maravilha. 
E depois, se conseguirem, imaginem o trambolhão que eu dei a pretender dançá-la numa aula de bailado naqueles bons belos tempos...








quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Conquistador

Foi por acaso (sou grande entusiasta dos acasos) que me veio ter às mãos a recente edição do livro «O Conquistador» que o escritor Almeida Faria lançou em 1990.

Deste autor sabia quase apenas que escrevera «Rumor Branco» quando tinha ainda 19 anos (1962) que, quando saiu, fora uma enorme pedrada no charco da nossa literatura, imediatamente adotado por Vergílio Ferreira (o que não era fácil…)

Este pequeno romance – chamar-lhe-ia novela até! – tem o seu encanto e a sua magia. É um verdadeiro pícaro: sonhador, divertido, imaginoso. Trata-se das aventuras de um rapaz que nasce na zona do Cabo da Roca, no dia do mês em que o rei D. Sebastião nascera, quatro séculos exatos depois do nascimento do rei virgem. Também se vai chamar Sebastião, o pai e a mãe também se chamavam respetivamente João e Joana e também tem seis dedos num dos pés.  Só que… ao contrário de D. Sebastião, este é um libertino, doido por mulheres.

O encanto de que falo acima vem da história da novela, da forma como nos é contada e das singularidades de muitas das personagens que fazem a ação evoluir, nomeadamente a avó Catarina.
A magia vem do ambiente em que se passa, desde a chegada do protagonista até à sua última aparição – a Serra de Sintra em todo o seu feitiço. De facto, Sebastião nasce e vive toda a sua infância e adolescência na casa do Farol, conhece e percorre as praias da Adraga, da Ursa, das Maçãs, toda a costa e todas as veredas da serra como ninguém, acabando por se recolher na Peninha.

As descrições são sublimes e de uma imagética exata e poética que, de imediato, nos lançam no meio das neblinas de Sintra.

«Vindas do mar, [no dia do seu nascimento] lufadas de névoa avançavam em direção à serra, como um exército desordenado recuando em debandada. Este espetáculo criou nos presentes, e ignoro se em meu pai, a convicção de que não seria casual a coincidência de el-rei e eu termos vindo ao mundo a vinte de janeiro, dia do santo do mesmo nome. Quando cresci e percebi que algo se esperava de mim, preferi, por instinto, fingir que não era nada comigo. Só muito mais tarde comecei a interrogar-me, como agora, quando olho aqui de cima, da Peninha, este mar hoje coberto de tiras de neblina.» (…)

«A nevoaça veio de manhã esvoaçando rente ao mar e agarra-se agora às rochas da costa, à orla das praias e ao cimo da serra donde não se dispõe a largar. O céu limpo e as temperaturas altas, anunciadas pela rádio, devem referir-se a outro país. Aqui, neste isolamento, envolto nesta espécie de manto de bruma encharcado em água, é inverno cerrado, embora haja sol a meia dúzia de quilómetros. Sintra é assim: um microcosmo e um microclima. Mas a bruma não me incomoda nada, condiz com a minha clausura e o meu cansaço.»

Foram descrições como estas que me devolveram a imagem das húmidas brumas que se esvaíam pelas encostas da serra e encantaram os primórdios da minha vida.

E que eram assim…
















(fotografias da página do facebook de Emília Reis)

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

Notícias do Sousa da Ribeira do Puorto

Não sei se deram conta, mas o nosso queridíssimo amigo Rui da Fonte tem andado a entreter-nos com uns contos malandros passados lá no Puorto, carago, e bem à moda do Puorto, carago, com um sujeitinho chamado Sousa, da Ribeira do Puorto.

Ora o nosso amigo Sousa, que é muito malandrão e tem a escola toda, esteve há dias em Lisboa onde se foi encontrar com um colega, sabe-se lá para quê. 

Iam os dois a passear pela praia a combinar não sei o quê, quando um deles dá um pontapé numa pedra - ou assim lhe pareceu. De facto, tratava-se de uma lâmpada mágica da qual saiu um génio que se lhes dirigiu desta forma:




- Como prémio de me terem libertado de mil anos de prisão, cada um de vós tem direito a pedir-me aquilo que quiser.

O lisboeta, cheio de pressa, disse todo fanfarrão:

- Eu quero que seja construído um muro em redor de Lisboa, impedindo a entrada dos fulanos do Norte. Não precisamos de aguentar esses gajos nem outros menos capacitados do que nós...

- O seu desejo é uma ordem, meu amo...ZÁS... E o muro já está construído...

Logo, logo  o génio dirigiu-se ao Sousa perguntando-lhe qual era o seu desejo.

Então o Sousa, que, como já ficou dito, é muito malandrão, perguntou:

- Oube lá, ó morcõn, o muro que construíste é sólido?

 - Nada neste mundo o pode destruir, meu amo!

- E é mais alto que tuodos os edifícios em Lisboua?

- É mais alto que os edifícios mais altos de toda a Lisboa - garantiu o génio.

- Tem políticos? - pergunta o Sousa, muito maroto.

- Todos os grandes lá vivem, meu amo!

- Tá benhe! Atón einche d'água até beinhe ao ciminho...


sábado, 9 de dezembro de 2017

Não gaste seu tempo sem conta...

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...


Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII, por António Fonseca Soares.

Frei António das Chagas, de seu nome António da Fonseca Soares, também conhecido por Padre António da Fonseca, (Vidigueira, 25 de Junho de 1631 – Varatojo - Torres Vedras, 20 de Outubro de 1682)




sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Caeiro tinha razão...

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.

Ambos existem; cada um como é.

(Alberto Caeiro)


Senão vejam se as minhas rosinhas não estão lindas mesmo num dia de chuva...














Tenham um fim de semana florido!